terça-feira

Acordo ortográfico altera só 0,5% do vocabulário brasileiro

Brasil foi o primeiro país a aderir; confira quais são as mudanças
Apenas 0,5% do vocabulário brasileiro foi alterado com o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Ele entrou em vigor no início de 2009, após sanção do presidente Lula. As mudanças incluem a extinção do trema, o uso do hífen e a acentuação de algumas palavras. Ditongos como heroico, europeia e ideia, por exemplo, deixam de ser acentuados.
O acordo, inicialmente, será obrigatório para documentos da União e demais instâncias de governo, como o Judiciário e governos de Estado. O prazo oficial de adaptação de livros didáticos, obras de literatura e demais publicações é 2012.
Em Portugal e outros países lusófonos, como Moçambique e Angola, as alterações atingem até 2% do vocabulário. Para o professor Evanildo Bechara, especialista na reforma ortográfica e coordenador de lexicografia da ABL (Academia Brasileira de Letras), o acordo visa unificar a maneira de escrever do Brasil e de outras nações lusófonas, "ressalvados, naturalmente, os casos de variação de pronúncia em cada país".
A maneira oficial de escrever as palavras no Brasil é definida pelo Volp (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa), obra preparada pela ABL. Bechara, que também coordenou a elaboração do Volp, afirma que o acordo traz vantagens para a difusão do idioma no mundo.
- Haverá maior facilidade no ensino da língua. Também tornará mais competitiva a venda de produtos literários e científicos entre os países, com a uniformidade da grafia.

Acentuação
Paroxítonas que tenham os ditongos abertos tônicos ói e éi, como "paranóico", "atéia" e "Pompéia", perdem o acento agudo. Exemplos: alcateia; aleia; amoreia; apneia; assembleia; ateia; azaleia; boleia; Basileia; Boraceia; Brasileia; Caldeia; Cananeia; catleia; cefaleia; centopeia; colmeia; Coreia do Norte; Coreia do Sul; diarreia; dismenorreia; dispneia; epopeia; epopeico; Eritreia; estreia; europeia; farmacopeia; geleia; Pompeia; prosopopeia; seborreia; traqueia; ureia.

Palavras como veem, creem, deem e leem também perdem o acento, assim como paroxítonas com acento circunflexo no penúltimo o do hiato oo (voo, enjoo, sobrevoo). Palavras com a mesma grafia, mas com pronúncia diferente, como pára e para, pêlo e pelo também não serão mais acentuadas. Paroxítonas cujas vogais tônicas i e u são precedidas de ditongo decrescente, como baiuca e feiura, também não levarão acento.

Trema
Será totalmente eliminado das palavras portuguesas ou aportuguesadas, como linguiça e tranquilo. A exceção fica por conta de nomes próprios estrangeiros, como "Müeller", por exemplo.

Alfabeto
Passa a ter 26 letras, com a inclusão oficial do k, w e y no alfabeto da língua portuguesa.

Hífen
O hífen não será mais usado em prefixos terminados em vogal seguidos de r ou s. Neste caso, dobra-se o r ou o s. Exemplos: antirreligioso, antissocial e minissaia.
Usa-se este sinal gráfico em palavras iniciadas pelos adjetivos grã, grão ou cujos elementos estejam ligados por artigos. Exemplos: Grã-Bretanha, Grão-Pará, Trás-os-Montes.
Prefixos: aero-, agro-, ante-, anti-, arqui-, auto-, bio-, circum-, co-, contra-, eletro-, entre-, extra-, geo-, hidro-, hiper-, infra-, inter-, intra-, macro-, maxi-, micro-, mini-, multi-, neo-, pan-, pluri-, pós-, pré-, pró-, proto-, pseudo-, retro-, semi-, sobre-, sub-, super-, supra-, tele-, ultra- e outras
No caso destes prefixos, o hífen é usado quando a palavra seguinte começa com h ou com vogal igual à última do prefixo: auto-hipnose, auto-observação, anti-herói, anti-imperalista, micro-ondas, mini-hotel.

Em todos os demais casos, não se usa o hífen. Exemplos: autoanálise, autocontrole, antivírus, minidicionário, minissaia, minirreforma, ultrassom
O advérbio bem, em expressões compostas, aparece aglutinado com o segundo elemento. Exemplos: benfazejo, benfeito, benfeitor, benquerença.
Não se usa o hífen em expressões em que o prefixo termina em vogal, se o segundo elemento começa por vogal diferente. Exemplos: antiaéreo, coeducação, coedição, coautoria, extraescolar, aeroespacial, autoestrada, autoaprendizagem, agroindustrial, plurianual etc.
O hífen não é empregado em expressões que contêm em geral os prefixos des- e in-, e tambéme nas palavras cujo segundo elemento perdeu o h inicial. Exemplos: desumano, inábil, inepto, inumano etc.